1 de out. de 2009



"DEUS PODE CRIAR UMA PEDRA TÃO GRANDE
QUE ELE NÃO POSSA CARREGAR?"


Esta frase é muito difundida na internet e entre universitários, algumas vezes é usada apenas como uma brincadeira; em outras ocasiões é colocada como um forte argumento ateu.

Mas este raciocínio não é levado a sério nem mesmo em meios acadêmicos ateístas. Isto porque é comprovadamente um sofisma, ou seja, um raciocínio errado que tem como objetivo induzir a audiência ao engano. É um argumento morto, por isso é usado apenas por ateus pseudo-intelectuais.

Este sofisma tem o que é chamado de PREMISSAS CONTRADITÓRIAS (Quando as bases do argumento são mutuamente excludentes):

“O que acontece quando uma força irresistível encontra um obstáculo irremovível?”

Se a força irresistível existe, então não pode haver um obstáculo irremovível. E se o obstáculo irremovível existe, então não pode haver uma força irresistível.

Logo, a pergunta não é coerente consigo mesma, e por isto não pode apresentar uma resposta lógica e correta.

Como as duas ideias se excluem temos que:
Se esta "pedra irremovível" existisse, então ela seria usada como prova de que o "Deus irresistível" não existe.
Da mesma forma a inexistência da pedra poderia ser um indício para a existência deste Deus Onipotente.



(Livro bom sobre o assunto e muitos outros: A história da Filosofia, Will Durant;
Desenho de Will Eisner)

14 de jul. de 2009

Dá para acreditar em Deus?

– filósofos gregos



É possível dizer que Deus é, no mínimo, uma teoria?

Sócrates acreditava que da mesma maneira como no homem o corpo é dirigido pela alma espiritual, também o universo é comandado por algo invisível e espiritual:

“Crês possuir em ti algo inteligente, e que em nenhuma outra parte se encontra inteligência? Como podes crer que a inteligência a obtiveste por obra de afortunado acaso somente para ti, sem que se encontre em alguma outra parte, e que essas massas imensas e essa infinita multidão de coisas se acham dispostas em tão bela ordem por obra de uma força estúpida e cega?”

Platão afirmava que a ordem e a harmonia do universo também são demonstrações da existência de uma divindade inteligente.

Já Aristóteles afirmava a necessidade da existência de um Deus para explicar o movimento; seja dos corpos celestes ou as constantes mudanças naturais. Tudo está em movimento.

A filosofia grega estava entre duas afirmações contraditórias:

‘O que é, é. O que não é, não é. ’ e ‘O ser não é mais que o não ser’

A solução de Aristóteles para conciliar as duas foi: tudo está em contínuo movimento, do que não é para o que deve ser.

Mas quem iniciou este movimento?

O filósofo afirmou que “tudo o que se move deve ser movido por outro”, que é inaceitável a falta de um agente que começou o movimento. O que se move teve que ser impulsionado por algo. Raciocinou que apenas um ser perfeito e eterno poderia ser este agente; então Deus é a razão pela qual o mundo se movimenta.

Portanto, para os filósofos gregos, a existência de Deus é mais que uma teoria, é uma necessidade.

Mas, infelizmente, este Deus é um rei sem poderes. Não tem vontades, propósitos e ação. “Retirado em sua torre de marfim da luta e da contaminação das coisas; afastado, sob todos os aspectos (...) da delicada e solícita paternidade do Deus cristão” (Will Durant).

“Infeliz Aristóteles! Que inventou para estes homens a dialética, a arte de edificar e de demolir; uma arte tão evasiva as suas posições, tão forçada nas suas conjeturas, tão áspera nos seus argumentos, tão produtora de contendas (...) retraindo tudo e realmente não tratando de nada!” (Tertuliano)

8 de mai. de 2009

Razão, racionalismo e Fé: Um relacionamento conturbado





Já diziam nossos professores de história: Foi com o Iluminismo que se popularizou o racionalismo - a ideia de que a mente humana pode conhecer, interpretar e entender o universo inteiro sem ajuda nenhuma.

Mas o que é racionalismo? É o mesmo que razão. Né?
Não!

- Razão é a capacidade humana de pensar, argumentar, calcular, analisar evidências e chegar a conclusões.

- Racionalismo é a crença de que a razão pode fornecer todas as respostas à humanidade. Assim, se a mente não compreende algo é porque este algo está incorreto ou não existe, pois toda a verdade tem origem no pensamento humano e a mente é totalmente capaz de nos dar tudo o que precisamos saber.

Emanuel Kant escreveu um livro com um titulo bem direto: ‘A religião dentro dos limites da razão somente’; para ele tudo o que fosse fora da razão deveria ser ignorado, mas mesmo assim deveríamos viver como se houvesse um Deus (?!?!).

Ia tudo bem para os iluministas até que o racionalismo, que antes era considerado a mais profunda forma de liberdade intelectual, passou a ser visto como uma limitação castradora a capacidade humana de interpretar o universo!

Era o fim do Iluminismo e começo do Romantismo. (É interessante como os conceitos de fé e razão mudam junto com os séculos, e que cada geração tem certeza de suas ‘verdades’, mas, voltemos ao assunto!)
Sim! O universo estava muito apertado nos limites da mente humana e precisava urgentemente sair! Os escritores, que sempre dão muito problema, foram os primeiros a reclamar.

Os irmãos Friendrich e August W. Schlegel afirmavam que o iluminismo estava tentando reduzir o mistério do universo!

William Wordsworth foi outro: “[a imaginação] é apenas outro nome que se dá ao poder absoluto à percepção cristalina, à magnitude da mente, e à razão em seu estado mais sublime”.

A questão é que a mente humana não pode nem mesmo compreender esse mundo finito, quanto mais o infinito além dele!

Muitos homens não se satisfazem com o racionalismo porque percebem que é pretensão tentar achar o universo inteiro dentro da mente humana; ele teria que ser buscado também através do que vivemos, sentimos e cremos.

Mas chegar a esta conclusão é inconveniente, pois abre as portas para a Fé! Já que, assim, a crença pode não ser algo irracional, mas apenas 'fora da razão', 'além dela'.

É como argumentava Tomás de Aquino:

“A fé não é contra a razão, mas também não é limitada por ela.”





Obs: para saber mais- Durant, Will. A história da filosofia
McGrath, Alister. Teologia histórica e filosófica
.

30 de mar. de 2009

“Quase com certeza”? Isto existe?



Não tenho certeza se esta expressão existe:
“Quase com certeza”
Para mim parece incoerente!
Mas é justamente a esta expressão que Dawkins dedica um capítulo inteiro do seu livro.
“Quase com certeza Deus não existe”
E a pergunta na qual ele se baseia é:
“Quem criou Deus?”
Ele tenta nos levar a antiga pegadinha filosófica que desencadeia uma regressão infinita:
“O que explica a explicação?”
Mas olhemos para a ciência, pois neste caso ela responderá a Dawkins.
Existe nas ciências naturais a ‘teoria da grande unificação’ – a teoria do tudo.
Esta poderia explicar tudo, sem que ela própria exigisse explicação.
Nomes como Einstein, Newton, Galileu e Kepler estão envolvidos, em suas determinadas áreas, na tentativa de chegar a uma Lei que explique tudo.
Se esta busca não é considerada um erro pelos cientistas, apesar de nenhum ter conseguido mostrar uma prova experimental; por que a busca por um Deus que, como a teoria, tem a resposta em si mesmo é tão incompreensível para Dawkins?
Não existe nenhuma autocontradição em se procurar algo que seja uma explicação em si mesmo; foi por isso que Einstein tentou unificar a Relatividade Geral e o Eletromagnetismo; estava em busca da explicação sem explicação, a Teoria do Tudo.
Em seguida Dawkins afirma que se existe um Deus, ele é muito complexo e, portanto, improvável.
Por ser complexo e improvável necessariamente não existe?
Mas em outro livro seu (A escalada do monte improvável) Dawkins deixa claro o quanto a existência da humanidade é muito, muito improvável.
E ele está certo, é incalculável a nossa improbabilidade de existir.
No entanto, cá estamos nós!
A improbabilidade não implica a não existência!
E Dawkins sabe disso!
A questão não é se Deus é improvável, pois isto nós também somos!
A pergunta é: “Deus existe?”.
E isto Dawkins não responde!


Ps: Atual lema dos ateus:
"Provavelmente não existe um Deus.
Agora pare de se preocupar e aproveite a sua vida!"
Provavelmente? Valeu... Mas prefiro não arriscar!

23 de mar. de 2009

Deus, coisa de criança?



Richard Dawkins em “Deus, um delírio” (leia o post anterior para entender a razão deste) afirma que fé é uma ilusão infantil que deveria desaparecer quando atingimos a maturidade.
Em outras obras ele chega a dizer que “crer em Deus é como crer em Coelhinho da Páscoa ou Papai Noel.”
Na teoria pode até parecer uma boa analogia, mas a questão é que esta não é comprovada na prática.
Afinal, algum empresário passou a acreditar em Papai Noel depois de adulto?
Quantos universitários foram convencidos da existência do Coelhinho da Páscoa?
Quais estudiosos passaram a defender o Sr. Noel depois de anos o ridicularizando?
Mas...
Anthony Flew, notável filósofo ateu, passou a crer em Deus aos 81 anos.
C.S. Lewis foi professor em Cambridge e autor premiado, tornou-se ateu convicto na adolescência e ex-ateu aos 34.
Werner Keller, arqueólogo ateu, fazia pesquisas para desmentir a bíblia, e hoje escreve livros defendendo a fé cristã.
Como explicar isto?
Dawkins não explica!
Limita-se a afirma categoricamente que há duas maneiras de se pegar o “vírus da fé”:
Ou porque você é demente, enganado e enganador; passa a crer em uma divindade.
Ou por crer em uma divindade é demente, enganado e enganador.
Fico me perguntando em qual destes grupos está Platão, Aristóteles, Albet Einstein, Isaac Newton, J. R. Tolkien, muitos colegas de Dawkins em Oxford, vários acadêmicos de outras universidadades de ponta e mais de 90% da população mundial.*
Mas isto ele também não diz!
Dawkins não explica, não diz e não convence!


* Sim, go Google it!, todos estes crêem/criam em um Deus.

22 de mar. de 2009

Deus, um delírio?
Dr. Dawkins, professor em Oxford, é atualmente um dos mais hábeis divulgadores da ciência e o mais famoso defensor do ateísmo.
Em “Deus, um delírio” ele afirma:
“Se este livro funcionar do modo como pretendo, os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”.
Eu li o livro. E pensei:
“Mas, por que livros assim ainda são escritos?
Não diziam, nos séculos passados , que a religião estava desaparecendo e que as próximas gerações veriam esta ‘ilusão’ ser esmagada pela ciência?"
Mas, hoje se calcula que mais de 90% da população mundial ainda acredita em algum tipo de divindade.
A discussão está longe de ser encerrada.
Por isso, já que conhecer é pré-requisito para opinar, postarei a partir de amanhã os argumentos mais significativos de Dawkins e tentarei analisá-los com honestidade.
Sim, eu tenho uma opinião sobre o assunto.
Acredito que todos vocês também têm.
Alguns discutem sempre com o objetivo de convencer, nunca de aprender.
Que, por amor a Verdade, este não seja o nosso caso.



Duas observações:
1- Importante ressaltar que mesmo alguns cientistas renomados não estão convencidos de que o “ateísmo racional” é o único caminho. Dr. S. J. Gould que era ateu (até sua morte em 2002), escritor de sucesso e professor em Harvard; afirmava que as ciências naturais eram compatíveis tanto com o ateísmo quanto com a fé religiosa. Alister McGrath, Doutor em biofísica molecular, era professor em Oxford quando trocou o ateísmo pela fé. Entre outros...
2- Não entenda errado. Eu amo ciência e métodos científicos de pesquisa! Tanto que faço faculdade de Biologia.

(Quer saber mais? Leia ‘Deus, um Delírio’ – Dawkins, e a resposta: ‘O delírio de Dawkins’ – McGrath.)

19 de mar. de 2009

Confissões de um Vencedor





"É ilusão, tudo é ilusão.


Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo.


Nossos olhos não se cansam de ver, nem nossos ouvidos de ouvir.


Existe alguma coisa que possamos dizer: “Veja! isto nunca aconteceu antes!”? Não.


Procurei ter conhecimento e agir com sabedoria. Mas descobri que isto não leva a nada.


Quanto mais sabemos, mais sofremos. Resolvi aproveitar os prazeres da vida.


Mas entendi que isso também é ilusão, que rir é loucura, o prazer é inútil.


Fiz tudo o que queria, pensei que isto fosse o melhor que uma pessoa pudesse fazer durante a sua curta vida aqui na terra.


Realizei grandes coisas, fui muito rico e tive todas as mulheres que desejei.


Sim, fui grande! Consegui tudo. Não me neguei nenhum prazer.


Mas, quando pensei no que havia feito, entendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito.



No futuro todos nós seremos esquecidos. Todos morreremos.


Nos esforçamos a vida toda, e o que ganhamos além de preocupações e desgostos?


O melhor que alguém pode fazer é comer e se divertir com o dinheiro que ganhou.


No entanto, compreendi que mesmo essas coisas vêm da mão de Deus.


Sem Deus como teríamos o que comer ou com que nos divertir?


Deus dá a verdadeira alegria a quem o agrada.


Sem Ele tudo é ilusão!"


Salomão


(Fiz apenas uma releitura de parte do livro "Eclesiastes de Salomão"; livro completo na tradução direta aquihttp://www.bibliaonline.com.br/acf/ec/1 )

17 de mar. de 2009

Cor do texto
Cor do texto


MOMENTO: "É ISSO?"
Você conhece o Momento: “É isso?”
Você sonhava com algo! Tentou! Conseguiu! A euforia te envolve! Mas, o tempo passa, e você pensa: “É isso?”
Ou, você trabalha o dia todo, pega trânsito, estuda a noite, chega em casa, coloca a cabeça no travesseiro e sussurra: “É isso?”
O Momento: "É isso?" acontece com todos! Seja o cara desiludido que nunca conseguiu o quê sonhava, ou o bem sucedido que tem tudo; eles em algum momento se indagam: “É isso?”.
Por que sofremos deste mal?
O quê a gente realmente quer?
Onde está a satisfação completa?
A filosofia discorre sobre o assunto, mas não responde.
A psicologia tenta nos tratar, mas falha.
Dinheiro, pessoas, profissão. Tudo o que é finito e imperfeito está vulnerável ao Momento: “É isso?”
Precisamos de algo maior. Que ultrapasse o nosso tempo. Que sobreviva à nossa história. Que independa de nós. Que simplesmente EXISTA! E, assim, dê sentido a existência de todo o resto.
Deus?
Davi disse que sim:
“Na TUA presença há plenitude de alegria, ao TEU lado delícias perpetuamente”

Será ELE a resposta para o tão desagradável Momento “É isso?”
.

Teologizar: O quê? Pra quê? Por quê?


Teologia = O estudo de Deus (Se há termo mais pretensioso que este, eu desconheço!).

A idéia é: textos SUCINTOS avaliando a presença/ausência de Deus em nossas agitadas vidinhas.

Porque lí algumas 'confissões retóricas' no Twitter:

"Preciso de um lider espiritual, a vida é muito difícil."
"Por que o meu coração não veio com Manual?"
"Por que é tudo assim tão complicado?"

Eles não esperavam resposta, mas será que esta não existe?

A tão desejada RESPOSTA!

É, teologizar é preciso, por isso vamos seguindo!

E seja bem vindo.