14 de jul. de 2009

Dá para acreditar em Deus?

– filósofos gregos



É possível dizer que Deus é, no mínimo, uma teoria?

Sócrates acreditava que da mesma maneira como no homem o corpo é dirigido pela alma espiritual, também o universo é comandado por algo invisível e espiritual:

“Crês possuir em ti algo inteligente, e que em nenhuma outra parte se encontra inteligência? Como podes crer que a inteligência a obtiveste por obra de afortunado acaso somente para ti, sem que se encontre em alguma outra parte, e que essas massas imensas e essa infinita multidão de coisas se acham dispostas em tão bela ordem por obra de uma força estúpida e cega?”

Platão afirmava que a ordem e a harmonia do universo também são demonstrações da existência de uma divindade inteligente.

Já Aristóteles afirmava a necessidade da existência de um Deus para explicar o movimento; seja dos corpos celestes ou as constantes mudanças naturais. Tudo está em movimento.

A filosofia grega estava entre duas afirmações contraditórias:

‘O que é, é. O que não é, não é. ’ e ‘O ser não é mais que o não ser’

A solução de Aristóteles para conciliar as duas foi: tudo está em contínuo movimento, do que não é para o que deve ser.

Mas quem iniciou este movimento?

O filósofo afirmou que “tudo o que se move deve ser movido por outro”, que é inaceitável a falta de um agente que começou o movimento. O que se move teve que ser impulsionado por algo. Raciocinou que apenas um ser perfeito e eterno poderia ser este agente; então Deus é a razão pela qual o mundo se movimenta.

Portanto, para os filósofos gregos, a existência de Deus é mais que uma teoria, é uma necessidade.

Mas, infelizmente, este Deus é um rei sem poderes. Não tem vontades, propósitos e ação. “Retirado em sua torre de marfim da luta e da contaminação das coisas; afastado, sob todos os aspectos (...) da delicada e solícita paternidade do Deus cristão” (Will Durant).

“Infeliz Aristóteles! Que inventou para estes homens a dialética, a arte de edificar e de demolir; uma arte tão evasiva as suas posições, tão forçada nas suas conjeturas, tão áspera nos seus argumentos, tão produtora de contendas (...) retraindo tudo e realmente não tratando de nada!” (Tertuliano)

2 comentários:

  1. Não acompanhei o raciocinio: "O que se move teve que ser impulsionado por algo." Ok, entendi, isso é bem provavel. "Raciocinou que apenas um ser perfeito e eterno poderia ser este agente" Não sei pq tinha q ser eterno, nem pq tinha q ser perfeito, mas tudo bem.. sigamos com essa hipotese da coisa impusionadora perfeita e eterna q movimenta as outras coisas. "então Deus é a razão pela qual o mundo se movimenta." Aí q me perco, pq deus é a coisa impulsionadora? como vc chegou a essa conclusão? chegou a isso pq a coisa tinha q ser perfeita e eterna, e só deus poderia ser assim? mas e se tiver outra força q seja eterna e perfeita tb? e se a gravidade for essa força? e se for outra força da natureza q não conhecemos? e se essa coisa nem tiver q ser perfeita ou eterna? (oq nos levaria de volta para a primeira premissa) e mesmo q fosse perfeita e eterna pq tem q ser um deus? enfim: há uma grande quantidade de hipóteses não consideradas e não respondidas nesse raciocínio.. oq, ao q me parece, não faz chegar a conclusão nenhuma.

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  2. Este raciocínio não é meu, queria que fosse, mas é de Aristóteles.
    Eterno porque nada poderia mover o primeiro motor. O q pode começar o início? Apenas algo eterno, que não foi iniciado por nada.
    Perfeito porque algo que veio antes de tudo acaba definindo o próprio conceito de perfeição.
    Deus porque um ser eterno e perfeito é o que os homens costumam chamar de Deus.
    Uma lei da natureza seria pouco provável, pois as leis se relacionam, dependem umas das outras e dos seres que movem para existirem. Mas ser pouco provável não é ser determinante.
    Obrigada pelas perguntas :-)

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