Já diziam nossos professores de história: Foi com o Iluminismo que se popularizou o racionalismo - a ideia de que a mente humana pode conhecer, interpretar e entender o universo inteiro sem ajuda nenhuma.
Mas o que é racionalismo? É o mesmo que razão. Né?
Não!
- Razão é a capacidade humana de pensar, argumentar, calcular, analisar evidências e chegar a conclusões.
- Racionalismo é a crença de que a razão pode fornecer todas as respostas à humanidade. Assim, se a mente não compreende algo é porque este algo está incorreto ou não existe, pois toda a verdade tem origem no pensamento humano e a mente é totalmente capaz de nos dar tudo o que precisamos saber.
Emanuel Kant escreveu um livro com um titulo bem direto: ‘A religião dentro dos limites da razão somente’; para ele tudo o que fosse fora da razão deveria ser ignorado, mas mesmo assim deveríamos viver como se houvesse um Deus (?!?!).
Ia tudo bem para os iluministas até que o racionalismo, que antes era considerado a mais profunda forma de liberdade intelectual, passou a ser visto como uma limitação castradora a capacidade humana de interpretar o universo!
Era o fim do Iluminismo e começo do Romantismo. (É interessante como os conceitos de fé e razão mudam junto com os séculos, e que cada geração tem certeza de suas ‘verdades’, mas, voltemos ao assunto!)
Sim! O universo estava muito apertado nos limites da mente humana e precisava urgentemente sair! Os escritores, que sempre dão muito problema, foram os primeiros a reclamar.
Os irmãos Friendrich e August W. Schlegel afirmavam que o iluminismo estava tentando reduzir o mistério do universo!
William Wordsworth foi outro: “[a imaginação] é apenas outro nome que se dá ao poder absoluto à percepção cristalina, à magnitude da mente, e à razão em seu estado mais sublime”.
A questão é que a mente humana não pode nem mesmo compreender esse mundo finito, quanto mais o infinito além dele!
Muitos homens não se satisfazem com o racionalismo porque percebem que é pretensão tentar achar o universo inteiro dentro da mente humana; ele teria que ser buscado também através do que vivemos, sentimos e cremos.
Mas chegar a esta conclusão é inconveniente, pois abre as portas para a Fé! Já que, assim, a crença pode não ser algo irracional, mas apenas 'fora da razão', 'além dela'.
É como argumentava Tomás de Aquino:
“A fé não é contra a razão, mas também não é limitada por ela.”
Obs: para saber mais- Durant, Will. A história da filosofia
McGrath, Alister. Teologia histórica e filosófica
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Excelente o post. Realmente eu concordo que a razão não nos oferece a verdade absoluta da realidade. Eu como cientista faço uma analogia com as leis da física:
ResponderExcluir"as leis da física não são válidas no interior De um buraco negro ou antes do Big BANG; a razão também tem alguns buracos negros onde e mesma não funciona.
"E tal qual a ciência, que nos oferece apenas uma aproximação da realidade, a razão também funciona assim, descRevendo a realidade em parte, e não de foRma absoluta".
Parabéns pelo blog JoicE, seria excelente se os posts tivessem maior ocorrência. GOSTO muIto deles.
UM ABRaço.
MILTão
Gostei do seu blog... Li o livro do Dawkins, gostei, mas não me tornou ateu, me tornou mais crítico e mais interessado por filosofia, psicologia, mitologia... Mas, em parte, concordo que Deus não exista como a maioria das pessoas acredita... a cada dia meu conceito de Deus fica mais complexo... rflores87.wprdpress.com [cheguei até aqui depois do seu follow no twitter...]
ResponderExcluirolha só q blog interessante...
ResponderExcluir[cheguei até aqui depois do seu follow no twitter]²
Away!
pq subestima-se tanto os seres humanos e superestima-se tanto o divino? acho isso mais um problema de baixo auto-estima do ser humano do que um conflito razaoXfé..
ResponderExcluir(parabéns pelo blog) +D
interessante!!!
ResponderExcluir"Fator preponderante para que o indivíduo seja virtuoso é a razão" Aristóteles.
ResponderExcluirEsta frase define não só a virtude em si, como também nos permite compreender o porquê do cristão não ser virtuoso. O cristianismo se baseia em histórias fabulosas contadas por pessoas sem qualquer conhecimento técnico sobre aquilo que afirmavam ser verdadeiro ou falso. Em igual situação estavam os que escreviam estas histórias a fim de preservar aqueles factóides à prosperidade.
Como Aristóteles afirmou, não havia como pessoas sem senso de razão serem virtuosas. Como resultado, corrupção, selvageria, lascívia e auto-tutela dos seus direitos era o que regia aquele povo judeu. Os 10 mandamentos foram a primeira atitude racional tomada pelos líderes tribais de então, eles foram uma solução que eclodiu da necessidade de se positivar a lei que até então era oral. Mas de que adiantam as leis se o indivíduo é irracional? Por mais que a lei diga o que pode e o que não pode, ela só pode agir externamente ao indivíduo, ou seja, só poderá punir, não transformar. Esta transformação intrínseca só acontece quando o indivíduo se racionaliza.
Segundo Immanuel Kant "razão é a capacidade de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é em outras palavras, a personificação do bom senso". E o que vem a ser o bom senso? É a capacidade de o homem agir racionalmente, colocando-se no lugar do outro e agindo como espera que este outro aja com si mesmo. Isto é o bom senso, isto é ética, isto é o que o cristão não consegue fazer, pois foi doutrinado para acreditar numa punição ou premiação somente após sua morte, logo o presente não é o momento de preocupações já que ele tem uma vida inteira pra se arrepender. O cristão não crê mais no sacrifício da cruz, tampouco nos galardões por bom comportamento, a doutrina da libertação foi abandonada e preterida pela teologia da prosperidade, que ensina que você nasceu pra ser rico, pois seu Pai é o dono da prata e do ouro, então você deve ser rico custe o que custar. Viver de forma egoísta e agir sem se preocupar com as conseqüências ao próximo, pra mim é um custo muito caro.
O cristianismo admitiu que perseguiu homens racionais durante eras, mas será que hoje ele não faz pior? Doutrinar as pessoas a serem irracionais é não é menos vergonhoso.
Eduardo Vieira Sabino.
Diferente.
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