27 de abr. de 2012

Redes Sociais - Confessionário público


“Uma comunidade destruída e que destrói seus membros pelo culto a sinceridade irrestrita, a renúncia a própria privacidade e o desrespeito a privacidade do outro.” - Bauman sobre a cultura pós modernidade*.



A vida pública é um jogo com regras, e a mais importante delas é a que permite compartilhar TUDO o que pode ser compartilhado. Acredita-se que quebrar esta regra faria as pessoas se afastarem. Assim, não apenas adolescentes, mas homens e mulheres de todas as idades consideram normal, e até obrigatório, compartilhar sentimentos, fotos e informações extremamente íntimas com estranhos. 

Todo dia nos dizem que podemos e devemos construir uma comunidade em torno do confessionário. Não é à toa que reality shows fazem tanto sucesso, eles não trouxeram esta invasão de privacidade à nossa cultura, são apenas um produto dela. Não há uma preocupação de se proteger e muito menos de, por respeito ao outro, poupá-lo do embaraço de saber segredos e informações desnecessárias.

Com a desculpa de se autoafirmar, a pessoa destrói sua capacidade de lidar com situações desagradáveis. Esta exaltação do confessionário é uma fuga às dores e tormentos, mas também aos desafios e oportunidades. Por exemplo, se você tem uma dificuldade de relacionamento não precisa passar pela situação desagradável de conversar sobre isso, pode simplesmente colocar uma indireta nas redes sociais.

A cultura do confessionário é também uma fuga da própria responsabilidade. Há um processo de dissolução dos problemas pessoais no ritual público de exibição de emoções. Ao mesmo tempo nos asseguram que esta é a maneira correta de lidar com problemas, já que todos os outros indivíduos também se exibem.



*BAUMAN, Zygmunt. Bauman sobre Bauman. Editora Zahar, 2011.


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