Dá para acreditar em Deus?
– filósofos gregos

É possível dizer que Deus é, no mínimo, uma teoria?
Sócrates acreditava que da mesma maneira como no homem o corpo é dirigido pela alma espiritual, também o universo é comandado por algo invisível e espiritual:
“Crês possuir em ti algo inteligente, e que em nenhuma outra parte se encontra inteligência? Como podes crer que a inteligência a obtiveste por obra de afortunado acaso somente para ti, sem que se encontre em alguma outra parte, e que essas massas imensas e essa infinita multidão de coisas se acham dispostas em tão bela ordem por obra de uma força estúpida e cega?”
Platão afirmava que a ordem e a harmonia do universo também são demonstrações da existência de uma divindade inteligente.
Já Aristóteles afirmava a necessidade da existência de um Deus para explicar o movimento; seja dos corpos celestes ou as constantes mudanças naturais. Tudo está em movimento.
A filosofia grega estava entre duas afirmações contraditórias:
‘O que é, é. O que não é, não é. ’ e ‘O ser não é mais que o não ser’
A solução de Aristóteles para conciliar as duas foi: tudo está em contínuo movimento, do que não é para o que deve ser.
Mas quem iniciou este movimento?
O filósofo afirmou que “tudo o que se move deve ser movido por outro”, que é inaceitável a falta de um agente que começou o movimento. O que se move teve que ser impulsionado por algo. Raciocinou que apenas um ser perfeito e eterno poderia ser este agente; então Deus é a razão pela qual o mundo se movimenta.
Portanto, para os filósofos gregos, a existência de Deus é mais que uma teoria, é uma necessidade.
Mas, infelizmente, este Deus é um rei sem poderes. Não tem vontades, propósitos e ação. “Retirado em sua torre de marfim da luta e da contaminação das coisas; afastado, sob todos os aspectos (...) da delicada e solícita paternidade do Deus cristão” (Will Durant).
“Infeliz Aristóteles! Que inventou para estes homens a dialética, a arte de edificar e de demolir; uma arte tão evasiva as suas posições, tão forçada nas suas conjeturas, tão áspera nos seus argumentos, tão produtora de contendas (...) retraindo tudo e realmente não tratando de nada!” (Tertuliano)