27 de abr. de 2012

Redes Sociais - Confessionário público


“Uma comunidade destruída e que destrói seus membros pelo culto a sinceridade irrestrita, a renúncia a própria privacidade e o desrespeito a privacidade do outro.” - Bauman sobre a cultura pós modernidade*.



A vida pública é um jogo com regras, e a mais importante delas é a que permite compartilhar TUDO o que pode ser compartilhado. Acredita-se que quebrar esta regra faria as pessoas se afastarem. Assim, não apenas adolescentes, mas homens e mulheres de todas as idades consideram normal, e até obrigatório, compartilhar sentimentos, fotos e informações extremamente íntimas com estranhos. 

Todo dia nos dizem que podemos e devemos construir uma comunidade em torno do confessionário. Não é à toa que reality shows fazem tanto sucesso, eles não trouxeram esta invasão de privacidade à nossa cultura, são apenas um produto dela. Não há uma preocupação de se proteger e muito menos de, por respeito ao outro, poupá-lo do embaraço de saber segredos e informações desnecessárias.

Com a desculpa de se autoafirmar, a pessoa destrói sua capacidade de lidar com situações desagradáveis. Esta exaltação do confessionário é uma fuga às dores e tormentos, mas também aos desafios e oportunidades. Por exemplo, se você tem uma dificuldade de relacionamento não precisa passar pela situação desagradável de conversar sobre isso, pode simplesmente colocar uma indireta nas redes sociais.

A cultura do confessionário é também uma fuga da própria responsabilidade. Há um processo de dissolução dos problemas pessoais no ritual público de exibição de emoções. Ao mesmo tempo nos asseguram que esta é a maneira correta de lidar com problemas, já que todos os outros indivíduos também se exibem.



*BAUMAN, Zygmunt. Bauman sobre Bauman. Editora Zahar, 2011.


22 de abr. de 2012

INADMIRÁVEL MUNDO NOVO




No clássico ‘Admirável Mundo Novo’ (que todos que gostam de ficção ciêntífica deveriam ler) Huxley descreve este diálogo entre um homem não civilizado e outro muito culto: “- Então o senhor acha que não existe um Deus.
- Ao contrário, penso que muito provavelmente existe.
- Então por que… ?
- Mas ele se manifesta de modo diferente a homens diferentes. Nos tempos prémodernos, manifestava-se como o ser descrito nesses livros. Agora…
- Como se manifesta ele agora? – perguntou o Selvagem.
- Bem, ele se manifesta como uma ausência; como se absolutamente não existisse.
- A culpa é sua.
- Diga, antes, que a culpa é da civilização. Deus não é compatível com as máquinas, a medicina científica e a felicidade universal. É preciso escolher. Nossa civilização escolheu as máquinas, a medicina e a felicidade.
- Ainda assim – insistiu o Selvagem – é natural crer em Deus quando se está só,completamente só, à noite, pensando na morte…
- Mas agora nunca se está só – disse Mustafá Mond. – Fazemos com que todos detestem a solidão, e organizamos a vida de tal forma que seja quase impossível conhecê-la.”

Esse diálogo é uma descrição do que aconteceria em 2540 d.C., mas poderia ser 2012. O que me fez indagar:
O que na nossa vida é incompatível com a ideia de Deus? Os ideais da nossa sociedade apóiam-se em riquezas e aparência física e social. Muitas vezes nossos pricípios cristãos podem atrapalhar a nossa busca destas coisas. E então, qual tem sido nossa escolha? Deus se torna ausente para nós quando nossas conquistas estão em jogo? Muitas vezes nossa vaidade nos faz acreditar que a felicidade é incompatível com o nosso Deus.

Outra pergunta me ocorreu:

Somos ainda capazes de ficar sós? Ou mesmo quando colocamos a cabeça no travesseiro continuamos conectados com nossos 246 amigos do facebook? Assim como descrito no texto futurista, nossa vida está projetada para evitar a solidão e, consequentemente, a introspecção. Mesmo quando estamos no carro, sozinhos, sem acesso a internet, ligamos o rádio, fugimos de nossos pensamentos. Acreditamos na mentira que estar só é sofrer; e perdemos grandes oportunidades de comunhão com o nosso Deus.

Muitas vezes escolhemos as vaidades e as mentiras deste século de forma ingênua, mas não podemos alegar ignorância, pois sabemos que foi assim que Jeremias descreveu o futuro:

“A ti – Senhor – virão os gentios desde os fins da terra, e dirão:
Nossos pais herdaram só mentiras, e vaidade, em que não havia proveito.”

VIDA É ARTE


“Se as condições definitivas para produção são o mundo e a vida (mais do que um estúdio ou uma galeria de artes), então uma certa maneira de viver, de estar no mundo, em si mesmo resultaria em produção de arte”

Esta frase é de Anton Vidokle no texto ‘Art without work’. Sua ideia é que a arte não é apenas aquilo que produzimos, mas é o que experimentamos e vivemos. Viver seria, então, uma produção artística.

Desta maneira, ter contato com uma arte inovadora pode mudar nosso modo de vida assim como nossa vida pode produzir uma arte revolucionária, capaz de mudar a vida de outros.

O que não posso deixar de pensar é ‘O que tenho visto na vida de outras pessoas que têm mudado o meu modo de agir?’, e mais, ‘A minha vida está causando impacto na vida de outros?’.

Viver é mais do que uma arte, é produzir arte.

KONY 2012 – ESTRATÉGIAS NAS REDES SOCIAIS



Um novo viral invadiu as Redes Sociais nos últimos dias. Até aqui, nenhuma novidade! A diferença é que, ao contrário dos vídeos de gatinhos e Luizas que fazem sucesso por acaso, este foi muito bem planejado.
vídeo foi produzido pelo líder do movimento Invisible Children, o objetivo é divulgar os atos criminosos de Joseph Kony – que aterroriza Uganda sequestrando e militarizando crianças – e, assim, pressionar autoridades internacionais a prendê-lo até o fim de 2012.
Além da causa, o interessante neste caso é notar a estratégia usada. No vídeo, um pouco longo, mas extremamente bem feito, ouvimos a frase “Não se preocupe, eu vou te dizer exatamente o que fazer”. Sim, já está tudo meticulosamente planejado. E nós, líderes ministeriais, podemos aprender muito com isso:

Primeiro passo: Culturemakers – “Quando eles falam, o mundo ouve’
No site você encontra fotos de 20 celebridades que eles julgaram as mais influentes. São cantores, atletas, atores e bilionários. Em cada foto está escrito “Envie uma mensagem agora”. Ao clicar na da Oprah, por exemplo, você é direcionado para o twitter dela já com o post escrito:
“Nos ajude a acabar com a violência. Visite o site kony2012.com para saber por que e como.
@Oprah Faça parte do #Kony2012”

Segundo passo: Policymakers – ‘Quando eles concordam, a mudança acontece’
A ideia agora é fazer isso chegar aos políticos. Funciona da mesma maneira, você clica em uma das 12 fotos de políticos poderosos e envia uma mensagem para eles. Mas o site também divulga os emails e outras formas de contato de vários políticos norte americanos. O plano é pressioná-los por todos os lados.

Terceiro passo: Tornar real
O movimento distribui ‘kits físicos’ – com pulseiras e cartazes – para atiçar a curiosidade daquela parte da sociedade que não é ligada as redes sociais. Todos que apoiam #Kony2012 devem usar a pulseira, colar pelo menos um cartaz em sua cidade, tirar uma foto e publicar nas redes. Estas fotos também são uma estratégia para sempre alimentar o assunto nas Redes Sociais, pois este viral foi planejado para expirar apenas no dia 31 de Dezembro, como eles mesmos explicitam no vídeo.

Como podemos envolver as pessoas para além de ‘RTs’ e ‘Curtirs’? Como fazer com que elas realmente participem das causas apresentadas através da internet? Ainda não existe uma fórmula, mas a estratégia ‘Kony2012’ nos ajuda a ter algumas ideias:

1-     Explique para as pessoas, de forma clara e atraente, por que elas têm que se envolver com esta causa (mesmo que seja um projeto missionário, por exemplo, é sempre necessário explicar exatamente por que isto é importante).
2-     Faça com que o envolvimento delas seja maior do que simplesmente clicar em ‘Compartilhar’, elas devem se sentir parte do movimento.
3-     Traga para a realidade. Concretize o projeto fora da web. Apenas desta maneira elas entenderão que a necessidade é real.

Assim, da próxima vez que tentarmos usar a internet para envolver o pessoal da igreja em algum projeto – seja voluntariado, missionário, reuniões… – podemos usar a estratégia de #Kony2012 para que nosso uso das Redes seja eficiente ;) .

14 de jun. de 2011

Não desprezarás as redes sociais no ministério

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações” - Mateus 28.19

Não existe verdadeira vida cristã sem discipulado.
Não há discipulado sem intimidade.
Não é possível adquirir intimidade sem tempo para conversar.
Tempo, não temos.
E mesmo que você, líder, organize seu trabalho, ministério e estudo para poder se encontrar com todos os seus liderados todas as semanas – sonho meu- a verdade é que eles terão muita dificuldade para fazer o mesmo.
O que fazer?
Eis o 11º mandamento para líderes de jovens/adolescentes: “Não desprezarás as redes sociais”.
É claro que elas não fazem todo o trabalho, você ainda precisa se esforçar para conseguir um tempo com seus discipulados e aproveitá-lo ao máximo.
Mas elas ajudam, e muito!
Para construir intimidade com alguém é valioso ter um contato diário para compartilhar coisas bobas ou perguntar sobre o dia. Este tipo de amizade diminui as barreiras e ajuda em momentos de exortação e ensino.
Mas atenção:
1º não seja o líder chato que ficará criticando todos os comentários e fotos, como se a sua missão nas redes sociais fosse vigiar seus liderados; isso apenas os afastará de você.
2º tome cuidado para que os seus comentários e fotos não comprometam seu testemunho e, consequentemente, sua liderança.
Que Deus nos dê sabedoria para utilizar esta ferramenta para o Reino.